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:: sexta-feira, fevereiro 01, 2002 ::
Há 4 anos atrás, no dia 28 de Janeiro, meu velho deixava essa vida.
Não é de hoje que tenho sentido falta de meu pai. Gostava de conversar com o velho, principalmente quando precisava de conselhos. Mas gostava, sobretudo, de ouvir suas histórias, a experiência de uma vida realmente vivida, em que, apesar de todo o drama, tiveram seus momentos de aventura, e com tudo tendendo a dar errado, ele e minha mãe conseguiram se superar e criar uma família. Claro, existem lembranças boas e ruins. Não era nada agradável ver o meu pai sucumbir ao alcoolismo, em uma época dura em que faltava grana, as brigas com meus irmãos, principalmente quando as frustrações de todos vinham à tona, que por várias vezes resultaram em violência. Eu sempre me senti impotente e amedrontado nesses momentos, pois não sabia o que fazer. Mas muito pior se sentia minha mãe, que talvez agora esteja sofrendo o resultado de tudo aquilo.
Mas, verdade seja dita, meus pais nunca deixaram faltar o que era realmente importante para nós.
Uma das maiores mágoas do velho era que o pai dele nunca o apoiou nos momentos de decisão da vida dele, desde que ele era criança. Meu avô era músico, fundou o Sindicato dos Músicos no Rio de Janeiro, mas tinha uma relação de amor e ódio com a profissão. Tanto que, no dia em que descobriu que meu pai estava aprendendo a tocar piano, proibiu imediatamente que ele aprendesse qualquer coisa relacionada à música. No dia em que meu pai chegou com a ficha de inscrição para a prova da Escola de Aeronáutica, meu avô assinou a ficha e disse a ele que podia fazer a prova, pois não acreditava que ele iria passar. Pois meu pai estudou, sozinho, fez todas as provas e passou! Meu avô então disse ao meu pai que ele não aguentaria a rotina pesada. Mas ele aguentou firme e, apesar da barra pesada, ele se tornou piloto e dos bons! Quando o meu pai se formou na antiga Escola de Aeronáutica, meu avô não compareceu a formatura dele! Mas sua mãe estava lá e lhe entregou a espada, simbolizando que ele havia se tornado um oficial da Força Aérea Brasileira. Mas, principalmente, que ele não era mais um garoto, mas um homem!
Meu velho sempre teve que se virar por sua própria conta, e não demorou muito para que ele sustentasse a casa e os próprios pais. As atitudes do pai dele o marcaram pela vida inteira, tanto que, em todos os nossos momentos, meus e de meus irmãos, fossem ou não importantes, ele dava um jeito de estar lá e nos apoiar. Há muito tempo que reconheço o incrível esforço que ele fazia para não nos decepcionar.
Acima de tudo, eu amava meu pai. O velho era phodda!!! Gostaria que ele estivesse aqui conosco, com sua sabedoria e seu coração de ouro. Mas sei que ele está em Alfa Centauro, como ele mesmo dizia, nos protegendo a todos.
:: Petrus 5:04 p.m. [+] ::
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Um aviso aos incautos navegantes: Este espaço serve para meus delírios mais profundos, a concretização no cyberspace do que minha mente pode criar, sofrer, amar, odiar, viver! Até onde a realidade e a imaginação permitirem, sem limites ou temores! Preparem-se!!!
:: Petrus 4:31 p.m. [+] ::
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