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:: sexta-feira, abril 19, 2002 ::

Carta para a minha Argentina Linda.

"Bom dia, Florzinha!

Calma, porque isso ainda faz parte do processo que lhe falei. Espero que compreenda isso. Respire fundo e continue lendo, se quiser.

Eu a conheci primeiro e não canso de repetir que percebi desde o início, dentro de mim, que nós nos conhecíamos de outros tempos, de outras vidas. O Tarô apenas confirmou isso. O que essa sensibilidade me ensinou é que eu estava parcialmente certo. Ainda há muito o que aprender com você, sobre você, e é exatamente isto o que a torna irresistível para mim, um cara que de repente passou a viver ora nas nuvens ora no fundo do poço. Não vou te enganar. É algo totalmente pirante. Bem, eu não preciso explicar, você tá vendo!

Sim, cada vez que eu a conheço um pouco mais, seja a sua mente aguçada, sua ternura ou seu lado insano e caótico, que pode ser tão instigante e delicioso quanto doloroso, sinto que fico cada vez mais apaixonado por você. Eu te amo, muito. Eu te amo cada vez mais, a cada dia, e pelas circunstâncias que nos encontramos luto contra a vergonha de confessar que a quero como minha namorada, minha amante, minha cara-metade e não apenas como minha amiga. Eu sempre quis e sonhei com alguém como você, nem mais nem menos, para cuidar e amar. Eu a quero sim, não resisto mais a esse sentimento! Mas não me sinto bem quando penso no que isto representaria para as nossas vidas, nesse momento, se a gente ficasse junto.

Porque existe um detalhe sinistro nessa situação. Você sabe que o que tornou possível nos conhecermos é você namorar o meu amigo mais antigo, por quem tenho profunda admiração e respeito, um cara que é muito mais que um irmão pra mim. Sei também que seu coração pertence a ele, que ele é o homem-da-sua-vida. Você me disse isso, lembra? Sobre isso, digo-lhe que respeito o lance entre vocês. Mas não apenas isso. Por várias vezes, eu me intrometi no relacionamento de vocês para que as coisas entre vocês ficassem numa boa. Não sei dizer se teria sido melhor não interferir, mas não me arrependo de forma alguma de tê-lo feito.

Bem, eu acredito que as coisas devem mudar daqui pra frente. Seria ingenuidade minha achar que não. Mas eu tenho certeza de que as mudanças serão boas, pra melhor. E quero muito, muito mesmo, que você e Carol continuem sendo minhas amigas queridas, de fé, minhas irmãzinhas que tanto adoro!

Desculpe por tudo isso, Lindinha. Não estou ajudando muito pra melhorar o seu inferno astral, não é? :))

Mas tinha que ser assim, era pra acontecer!

Ufa, que alívio em dizer tudo isso! Como me sinto bem!!!

Beijinhos com muitas saudades.
Petruccio."

:: Petrus 10:31 a.m. [+] ::
...
Carta para a minha Coelhinha Ruiva.

"Bom dia!

Espero que compreenda que, apesar de nossa conversa, nunca há tempo ou palavras suficientes para expressar tudo. Sinto que ainda tenho muito o que lhe dizer, talvez fruto de tanto tempo fantasiando tudo isso dentro de mim e que, quando estivemos finalmente abertos, sem medos ou pruridos para falar, as palavras não saíram totalmente de minha boca ou simplesmente ficaram perdidas na tempestade cerebral.

Por favor, peço que tenha paciência comigo. Acho que estou mais surtado do que nunca. :)

Minha Carol, minha coelhinha ruiva, minha menininha sapeca e linda, você resgatou o meu lado criança, o molequinho que sempre existiu dentro de mim e que estava com medo, assustado, escondido, como que fugindo de um bicho-papão. Naquela noite, enquanto caminhávamos, você me disse coisas sobre sua vida que eu desconhecia e, no final, pude perceber sua preocupação e seu carinho por mim. Pude perceber que você se importa comigo sim. Porque naquela noite nós derrubamos o silêncio, nos abrimos, falamos um para o outro o que cada um estava pensando e sentindo. E eu posso lhe dizer que fiquei muito muito feliz pela sua sinceridade, por ter sido tão honesta comigo. Você é uma fofa!

Mesmo que pareça leviano, eu não tenho medo de lhe dizer a verdade. Penso em você, sempre. Já sonhei com você várias vezes. Sim, estou mal porque estou apaixonado. Eu te amo, muito, e quanto mais eu a conheço e descubro como você é. Eu compreendo e respeito o lance que você está vivendo. Mas, apesar de todas estas revelações inesperadas, quero e tenho fé de que algo bom e forte pode existir entre nós, ainda que diferente.

É curioso que eu consiga fazer esse discurso controlado. É difícil, muito muito difícil, vê-la saltando do ônibus, indo embora, enquanto acena pra mim. Eu queria mesmo era correr para abraçá-la e beijá-la. Porque a distância e o silêncio me incomodam tanto que chega a doer no meu estômago, na minha cabeça e principalmente no meu peito. Quando gostamos de alguém, num nível tão desvairado que trancende qualquer noção de respeito próprio, o que importa é estar ali, próximo, do ladinho, sem a necessidade de palavras ou qualquer coisa que deixe nossas mentes ocupadas, sem pensar no quanto aquela proximidade é linda e ao mesmo tempo dolorosa, exatamente por ter início e fim. Quero ficar do seu lado sim, sentir você próxima, poder abraçá-la se me der vontade, porque não basta dizer “Eu te amo”, é preciso expressar através do corpo. Mas penso nisso e fico triste porque não acredito que possa fazê-lo de novo sem te deixar constrangida, apesar de ter-lhe dito que jamais forçaria a barra com você. Sim, você nunca me deu abertura pra isso e, por mais que eu tenha ouvido de várias bocas que faltou sagacidade, tenho certeza de que respeitei a sua vontade.

Pequenos detalhes são o que tornam algo especial, sem dúvida. Sinto falta de andar ao seu lado, de braço dado, como você ainda faz com Melní. O problema está em mim, é verdade. Não posso esperar que você ou a Florência resolvam a minha carência, ou abstinência como você ousadamente se referiu. Sei que o fato de estar apaixonado pode explicar o que me leva a agir como um maluco, surtado como vocês dizem. Mas a paixão nos torna suscetíveis a determinadas ondas, como se tivéssemos um filtro que deixasse passar apenas as emissões que nos importa. E a consequência direta e inabalável é o frenesi mental. Talvez isso explique porque, toda vez que olho para o ceú, eu me lembro que o azul é a sua cor favorita, ou que tenho o caderno do Harry com os adesivos que lhe dei porque sabia que você adoraria ganhá-los. Veja bem, no fundo, sou grato por estar encarando tudo isso, porque vale mais a pena experimentar e quebrar a cara do que nunca tentar. Eu lhe disse isso naquela noite, lembra?

Mas, se tivesse a chance, não faria tudo de novo do mesmo jeito. Por você, eu faria melhor, muito melhor, evitando os medos e as mágoas que deixei.

Às vezes, acho que nasci apenas para ser seu fã. :)

Fique em paz. Bom dia.

Beijos,
Petruccio."

:: Petrus 10:29 a.m. [+] ::
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